“Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler…”
Markus Zusak em A Menina que Roubava Livros.

Usei a frase desse livro porque não temos narradora melhor do que a morte para falar sobre transformação digital. Mas vamos lá! Aqui a morte prometeu que, como no livro da menina que roubava os livros, ela vai narrar a história com leveza. Morte, a palavra é sua!!

– Sabe, as pessoas vivem mergulhadas em sua vida… uma sucessão de momentos. Alguns felizes, outros nem tanto…

As empresas, são feitas de pessoas, não é? No caso das empresas, as pessoas se sucedem e vão dando mais longevidade à empresa. Elas podem chegar a ter 100, 300 anos. Mas não sobrevivem como nasceram. Se não se reinventarem, elas morrem. Por isso que elas falam tanto em inovação! O discurso é sempre bonito, porém como fica a execução?

Já vim buscar muitas dessas empresas porque elas simplesmente morreram, das pequenas às gigantes. Outras entram em estado terminal com o nascimento de algumas crianças que são ágeis e travessas!! E que nomes engraçados elas definem como branding! Uber, AirBnB, Nubank, XP, Spotify. O que essas crianças travessas tem em comum?? Muita tecnologia. E para que elas usam tecnologia? Para serem produtivas, eficientes e ágeis, com baixo custo de operação e para poder escalar seus negócios!

Mas mesmo essas crianças travessas não podem cessar a eterna busca pela sobrevivência, para se diferenciar no mercado, para serem cada vez mais competitivas, para dar ao seu cliente uma experiência diferenciada, que valorize cada vez mais a sua marca. Como os seres humanos, elas também buscam a imortalidade.

Você deve estar pensando: ah! Isso ainda é ficção cientifica!

Mesmo assim, aposto que você tem ido a muitos eventos que abordam o tema transformação digital. E tem ouvido falar na importância de Analytics, dos Big Data, IoT’s, Machine Learning (ML), Inteligencia Artificial (IA) e uma infinidade de produtos de tecnologia que prometem fazer a transformação digital na sua empresa. E tudo tem que ter mobilidade tá? Não esquece isso. As pessoas adoram seus smartphones e tudo o que eles possibilitam. Ótimo! Então, com tantas facilidades, sua empresa vai viver mais e não somente o seu emprego estará garantido mas o de muitas outras pessoas. Será?

Vejo que você sai desses eventos maravilhado, cheio de ideias para aplicar ao negócio da sua empresa. Você se vê como um agente ativo da revolução digital no seu negócio. Logo na sequência, vejo você envolvido em tantos problemas. Nossa!! Orçamento muito comprometido com o que já está implantado hoje, mas você tem que fazer mais com menos. Uma quantidade enorme de sistemas legados de difícil manutenção, sistemas que não conversam entre si e dados, muitos dados, gerados em alto volume. Eles não são mais gerados somente pelos seus sistemas internos, que já são um problema difícil de administrar, não é? E tem cada vez mais dados, muitos mais dados. Estão disponíveis em muitos lugares. IoT’s, clientes, fornecedores, cidadãos. Todos geram dados, numa velocidade incrível! E a inovação?? Temos que buscar inovar, incessantemente!

E agora?

Um negócio que pede cada vez mais por informação para a tomada de decisão, uma infinidade de dados que podem ajudar nessas decisões e uma infinidade de tecnologias que podem ser aplicadas a qualquer negócio. Mas tem seu legado e um ingrediente que pode fazer a diferença entre a vida e a morte da sua empresa: a cultura! Sim, a transformação digital que seu negócio precisa só vai acontecer se existir um ambiente propicio para isso. Ou se for questão de sobrevivência, claro!

E você sabe, não estamos falando de missão, visão e valores. Estamos falando de resistência à mudança, feudos departamentais, silos de dados, entre outras coisas. Alguém disse que Deus não criaria o mundo em sete dias se tivesse legado a considerar em sua criação. Particularmente eu acredito que Deus criaria o mundo sim, mesmo que tivesse que considerar qualquer legado, mas você e sua empresa não são Deus, não é? Então o legado deve ser considerado ou esquecido. Esquecido? Sim, significa começar outra empresa, do zero. Talvez seja a solução. Será? Mas e tudo que já foi investido? É tanta coisa para pensar que a pessoa parece que está sendo sufocada.

Pode ser difícil pensar assim, mas é por onde começamos.

Pensa no que sua empresa faz hoje, pode ser produto ou serviço. Como seria se ela estivesse nascendo agora? O que deveria ser feito para que ela fosse produtiva, com baixo custo operacional e pudesse vender em larga escala? Como fazer aplicação intensa de tecnologia nos processos da empresa buscar esses objetivos e mais, coletar dados, muitos dados, de diversas fontes e poder cruzar, relacionar, enriquecer as informações e tomar decisões na velocidade que o mercado pede? Você não ia começar aplicando ML  e IA, concorda? Com legado ou sem legado, existe um caminho a ser percorrido, um amadurecimento da cultura das pessoas que formam a empresa e ai sim, o quanto antes, organizar tudo para que você possa usar e abusar dos dados que vão te permitir decidir com mais precisão, de forma a atingir os objetivos e resultados esperados. E esses resultados tem uma relação direta com seus clientes. Os clientes é que direcionam o mercado. Eles é que definem o que querem e como querem consumir o seu produto ou serviço.

Bom, como na vida real, as pessoas acabam amadurecendo pelo amor ou pela dor.

O caminho vai dar trabalho, mas não é impossível de ser trilhado. Também, como na vida real, não busque atalhos. A busca deve ser por resultados consistentes. Não é o produto de tecnologia em si que vai te trazer a diferenciação no mercado e o sucesso. De forma bem simples, o que adianta ter um super algoritmo de análise de consumo do seu produto/serviço se os dados que alimentam esse algoritmo são inconsistentes, se movimentam lentamente pela empresa ou não trazem a experiência do consumidor?

Não te falei nada novo, não é? Mas pensa que tem um monte de empresas formadas por pessoas que sabem tudo isso e mesmo assim, essas empresas continuam morrendo. Por que será?

Vania Rios
CEO AnalisaBR

 

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